20 Oct 2019

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Blade Runner

20 Oct 2019

 

Blade Runner (1982)

 

De ovelha elétrica ao homem artificial, às sombras do descaso o tempo fez justiça e reconheceu o valor da obra tornando Blade Runner um dos maiores e melhores filmes de ficção cientifica de todos os tempos.  Porém sua sofisticação não se limitou ao tema, conduziu o espectador a uma profunda viagem a um futuro sombrio, mas bem fundamentado. É provável que sua temática narrativa tenha sofisticação além de sua época, impossibilitando a compreensão para abordar a visão de Philip K. Dick.

 

Tanto é que o reconhecimento do grande público só viria muitos anos mais tarde. Talvez as pessoas esperassem uma representação de um futuro frenético (impulsionado pelo furacão Star Wars) e menos sombrio e caótico como apresentado por Ridley Scott, uma realidade muito, mas plausível e provável.  E talvez por esse motivo muito menos atrativo aos nossos desejos.

 

 

A visão de Philip K. Dick no livro “Androides Sonham Com Ovelhas Elétricas?” sobre o futuro da sociedade humana hoje se parece mais com uma premonição possível do rumo que a humanidade está fadada e Ridley Scott foi certeiro em captar essa atmosfera e transportar paras as telas.

 

O ano é 2019, a humanidade sobrevive às consequências de anos de seu desenvolvimento desordenado. Aposta na ciência para consertar seus erros e ações destrutivas que condenaram a raça humana a um mundo quase sem luz e alegria. A ciência alcançou um status quase divino de criação capaz de confundir os sentidos e a percepção colocando a ciência em cheque com a natureza.

 

 O filme de Ridley Scott inspirado na obra de Philip K. Dick constrói personagens que conseguem dividir emoções e sentimentos além da percepção entre o real e o artificial e seus dilemas existenciais. Engana-se quem pensa que Blade Runner trata pura e simplesmente de um filme de ação ou mesmo apenas de ficção cientifica. É uma historia que trata de profundos dilemas sobre o que é ser humano, o apego à vida e o medo da morte.

 

Trilha Sonora

 

A trilha sonora de Blade Runner considerado por muitos como a melhor trilha sonora de ficção científica de todos os tempos foi criada pelo consagrado e premiado gênio grego (e não poderia ser diferente) Vangelis, que já havia inclusive ganhado um Oscar por "Chariots of Fire" (Carroagens de Fogo) no início de sua carreira. Ele compôs toda a trilha sonora com o compromisso de conduzir o espectador a um mundo verdadeiramente caótico, frio, sombrio, mas verdadeiramente belo em todos os seus detalhes quase imperceptíveis. Vangelis escolheu habilmente adotar a estética do filme como sua, usando ficção científica para filmar drama e ação de um detetive noir.

Determinado a construir um mundo de estranheza incompreensível que, enquanto as letras soam parecidas com as palavras árabes, todas são corrompidas em insignificância com a exceção de apenas duas linhas que traduzem como: “Diga-me minha querida? Diga-me minha mãe?” Além disso, combinava com a linguagem visual do filme, na qual a elite ocupava edifícios que se assemelhavam às pirâmides do Egito, coberta por luzes, enquanto a população predominantemente asiática apertava-se pelas ruas molhadas, sujas e pouco iluminadas. É necessário que o espectador aguce seus sentidos aproveitando cada segundo mágico, para que a mensagem áudio visual de Blade Runner seja captada e compreendida em sua totalidade. Fato esse, que Blade Runner tenha se tornado um mito em grande parte entre a perfeita união entre som e imagem.

 

Confira a galeria de Blade Runner:

 

 

 

 Blade Runner 2049

 

Parece Blade Runner, tem cara de Blade Runner e é Blade Runner.

 

Uma demorada sequência (30 anos depois) mesmo após tanto tempo a sociedade mudou muito pouco. Uma nova garantia de segurança recoloca os replicantes em meio aos humanos, um deles é o detetive K uma figura triste e sem propósito que é constantemente obrigado a passar por uma intensa avaliação psicológica, para garantir sua conduta serviçal e incondicional, aos seus superiores.

 

 

Se no filme de 1982 nós tínhamos o teste Voight-Kampff para detecção de um replicante, agora, em 2049, temos o Teste Pós-Traumático de Parâmetro Base (tradução livre para Post-trauma Baseline Test). No teste antigo, o sujeito a ser testado era submetido a perguntas criadas para provocar reações emocionais, e a partir da análise de mudanças sutis na retina podia-se detectar se o testado era humano ou replicante. Já o novo teste também consiste na análise detalhada do olho, e outras reações faciais, e tempo de resposta. Mas não são mais perguntas e respostas. Agora o alvo do teste deve escutar um conjunto de frases aparentemente desconexas e dar uma resposta específica, pré-determinada. Confira a cena do filme (sem legendas):

K é submetido duas vezes a este teste. Logo após “aposentar” Sapper Morton, e logo após descobrir que a memória sobre o cavalo de madeira realmente ocorreu. Na primeira vemos K dar respostas imediatas, mecanicamente, sem emoções. E por isto passa no teste. Na segunda K exita, responde com entonação alterada. E falha no teste. Falhar no teste significa se tornar emotivo, imprevisível, passível de rebelião. Imediatamente após a falha no teste K mente deliberadamente pela primeira vez, e justamente para sua superior, Tenente Joshi. O mesmo replicante que poucas cenas  atrás comentava, de forma sincera, não saber que ele poderia questionar sua superior. O que move K para fora de seus parâmetros base? A desconfiança de que ele seria o filho de Rachel com Deckard. Isto representaria para K que ele não é mais um policial sem alma, uma peça na imensa maquinaria social. (reprodução: http://bit.ly/2N2vCUq)

Tratados como escória por toda sociedade humana, os replicantes vivem um drama existencial que começa a encontrar sentido quando K se depara com uma reveladora informação, que pode mudar toda a humanidade.

 

Com uma produção de arte e fotografia extraordinária somada competente direção de Denis Villeneuve (A Chegada), Blade Runner 2049 só não arrasou nas bilheterias pelo mesmo motivo do primeiro, falta de público capacitado para o gênero. O filme tem um ritmo certo para apreciar a linda fotografia ambientando um drama existencial além, do que pode ser chamado de humano.

 

Os três curtas que não foram exibidos nos cinemas (mas estão no blu-ray do longa), possuem informações tão relevantes à história, que sua ausência não pode ser descartada ou ignorada. Assistir aos três curtas entre Blade Runner (1982) e Blade Runner 2049 é fundamental (clique nas imagens para ampliar). 

 

 Quadrinhos: Blade Runner 2019

 

Expandindo seu universo, Blade Runner ganha uma série em quadrinhos produzidos pela Titan Comics. A história se passa na mesma época do filme original, apresentando Ash uma Blade Runner veterana como protagonista  determinada a investigar o sequestro da família de um importante membro da Corporação Tyrell, responsáveis pela criação dos replicantes. Divididas em 12 edições com arte impecável de Andres Guinaldo e roteiro do próprio Michael Green (roteirista do filme Blade Runner 2049). A história nos leva a uma viagem para explorar um pouco mais esse sombrio e emocionante “futuro “que já se tornou passado mas continua fascinando. Confira as capas na galeria: 

 

1/15

 Bônus: 

 

 

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